9 de dezembro de 2021
Instituto Ressurgir
Textos

No Brasil, o lugar mais perigoso para uma mulher é a sua própria casa

Valdilene Martins*

Vivemos num país onde a educação dada as crianças, desde o seio familiar é sexista e misógino, propiciando assim um adestramento para as meninas e um embrutecimento para os meninos.

Desde cedo os homens são inseridos na violência, não é atoa que, segundo o CNJ, em 2018, 95% da população carcerária brasileira, era masculina.

Os homens também morrem mais que as mulheres, isso é fato, mas os motivos das mortes SÃO MUITO DIFERENTES!

Os homens são quem mais morre e quem mais mata no trânsito, nos estádios de futebol, nos bares, nos shows, nos assaltos, nas festas, nos carnavais, nas brigas de gangues.

O índice de suicídios na adolescência e fase adulta jovem, chega a ser de 79% entre os homens, de acordo com o site Agência Brasil.

Os homens são quem mais morrem em decorrência das drogas, do álcool e do fumo, o lugar mais perigoso para o homem é a rua, o âmbito público, pois em casa eles estão seguros.

Com eles, as mortes são causadas por fatores externos, por pessoas desconhecidas…

Já com as mulheres, às suas mortes são causadas pelas pessoas que elas amam, com as quais possuem laços afetivos conjugais ou parentais.

A diferença é essa, é surreal, é chocante!
70%das mulheres que são assassinadas no Brasil, morrem em decorrência das relações afetivas familiares e/ou conjugais. Que famílias são essas e que afeto é esse, que matam?

O Brasil detem, vergonhosamente, o 5° lugar no ranking, em um grupo de 83 países, que mais matam mulheres pelo simples fato de serem mulheres, de acordo com o Mapa da violência 2015.

Se faz mister a desconstrução para que possamos construir uma nova forma para educar as nossas crianças, na qual o respeito, a inclusão e a empatia sejam os pilares principais.

*Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Instituto RESSURGIR