4 de dezembro de 2021
Instituto Ressurgir
Textos

Feminicídio, será que o Brasil despertou?

*Valdilene Oliveira Martins

Ao ver toda essa mobilização nas redes sociais e na imprensa, eu fico com a impressão de que as pessoas estavam vivendo em outro planeta, com relação a violência contra as mulheres.

Por acaso não sabiam que somos o 5° país no ranking, dos que mais matam mulheres, pelo simples fato de serem mulheres?

Todos os dias mulheres morrem assim, esfaqueadas, estranguladas, baleadas, atropeladas, espancadas estupradas, aviltadas, humilhadas, desumanizadas DESACREDITADAS, CULPABILIZADAS… elas são mortas por quem elas amam, por quem deveria amá-las também ou, no mínimo, respeitá-las, mas a sentença de morte, ah a sentença… essa é dada pelas falhas no sistema, pela omissão das famílias, pelo silêncio da vizinhança, pelo abandono de pessoas amigas, pelo descaso das igrejas, pela desatenção de colegas de trabalho.

A internet tá cheia de vídeos de homens espancando e matando mulheres, na frente das próprias crianças (que às vezes são mortas também), na presença de familiares, em meio a amig@s, dentro de viaturas de policia, em lugares públicos, dentro de Universidades, dentro de delegacias…

É uma barbárie, um genocídio, um descaso, um ABSURDO, uma VERGONHA, uma IMORALIDADE!

Esoero que a morte da magustrada Dra Viviane Vieira Do Amaral Arronenzi, na véspera do Natal, pelo menos tenha servido para acordar o Poder Judiciario e algumas outras instituições estatais, que parecem não conhecer a cruel e vil realidade do ser mulher, no Brasil!
A dra Viviane não morreu por ser juíza, ELA MORREU POR SER MULHER!

Sabem aquela frase: O MACHISMO MATA? Ela é verdadeira!

Que o CNJ e a Associação Nacional para Defesa da Magistratura (ADM) nunca se calem quando souberem que um@ d@s membr@s desmereceu ou humilhou mulheres e mães em audiência ou que ainda pior, desrespeitou uma lei que salva vidas, como a Maria da Penha.

Que nenhum juízo deixe, mais nunca de cumprir, a risca, o conteudo da Lei Maria da Penha, em especial, os arts 18, 27, 28.
Que o art 22 seja aplicado de fato, sem nenhuma demora, quando couber, em especial os conteúdos dos incisos IV, V, VI, enfim…

Que as mortes bárbaras dessas mulheres não sejam naturalizadas, banalizadas, nem esquecidas, nunca!

Que tod@s @s delegad@s, advogad@s, promotor@s, magistrad@s que já fazem a sua parte, JAMAIS se omitam de agir, quando souberem de algum@ colega que assim não o faz.

Que a omissão do não querer se indispor ou se expor SUCUMBA, em benefício das vidas das mulheres, das saúdes das famílias, das crianças, para que não sejam “adotadas” pela dor do feminicidio, enfim, em prol de um mundo melhor para se viver!

“Em direção a um novo dia de intensa claridade, Eu me levanto…” Maya Angelou

*Valdilene Oliveira Martins
Advogada de família e criminalista, que atua exclusivamente na assistência jurídica de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, presidente da CDH do Instituto RESSURGIR Sergipe.